Sexta-feira, 22 de Abril de 2016

Quero morrer nos teus braços

 

Julguei que me perdera nos teus braços

Perdida neste amor que me conduz

Das marcas indeléveis dos teus passos

Aos traços bem vincados duma cruz!

 

Nos teus braços eu nunca me perdi

Pois neles nem sequer me encontrei,

Somente em loucos sonhos os senti

Nos abraços que nunca te darei!

 

E neste amor que trilha o meu caminho

Ando triste, perdida na má sorte,

Ao sentir de fugida o teu carinho

Num sonho que teima em fugir à morte!

 

É tão grande a tortura p’ra te ver

Que este meu coração já nem se importa,

De tanta vez que pára de bater

Sempre que o vento faz ranger a porta!

 

Afinal o destino dos teus passos

Passa noutra morada, noutra rua,

Em sonhos vou morrendo nos teus braços

Na vida vou sonhando que sou tua!

 

Paulo Conde, SPA 2002

publicado por pauloconde às 00:35

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Domingo, 3 de Abril de 2016

O Chico do povo

 

 

Falou-me há dias um rico

Forjando papel de nobre,

Fiquei a saber que o Chico

Quer ser rico, mas é pobre!

 

O Chico nas aparências

Vive farto, vive bem,

Até vive de evidências

De todo o nada que tem!

 

Numa vida mal forjada

A vaidade é santo entrudo,

Mostrar tudo sem ter nada

Quando o nada mostra tudo!

 

Não tenho inveja do Chico

Por ter muito que lhe sobre,

Antes pobre p’ra ser rico

Do que rico p’ra ser pobre!

 

 

Paulo Conde - SPA

24 de Fevereiro de 2002

publicado por pauloconde às 23:04

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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Menina dos olhos tristes

 

Menina dos olhos tristes

É tão triste o teu olhar,

Que eu não sei como resistes

Na tristeza, sem chorar!

 

Sem que em mim reparasses

No teu olhar me perdi,

E pedi que não me olhasses

P’ra poder olhar p’ra ti!

 

Perdi-me nessa tristeza

Que o teu olhar irradia,

Como era triste a beleza

Que me deste nesse dia!

 

Não mais vi o teu olhar

Só nos meus sonhos existes,

Menina do meu luar,

Menina dos olhos tristes!

 

Paulo Conde, SPA

publicado por pauloconde às 00:26

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Sábado, 7 de Junho de 2014

Eterno Amor

Chamava-lhe maravilha
Foi um dia a minha ilha
Onde ancorei a paixão,
Amor eterno, ausente
Que mora no meu presente
Dentro do meu coração!

O seu amor não me é estranho
Inda o sinto quando venho
À prainha das quimeras,
A maresia traz saudades
Dessas radiosas tardes
No alvor das primaveras!

Fecho os olhos sinto o vento
E nesse breve momento
Seu rosto, mil ideais,
Que eram sonhos de magia
De um amor que nos unia
E não finda nunca mais!

Paulo Conde, 2012

 

IGAC

SPA

publicado por pauloconde às 00:01

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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

Quadra Solta

 

O amor não escolhe idades

Aparências ou belezas,

Tem nas suas qualidades

Outro tipo de certezas!

 

publicado por pauloconde às 21:11

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Domingo, 9 de Março de 2014

O mar

 

Quero as ondas.
Quero de volta a maresia
que me aconchega a alma.
Que me limpa,
que me purifica,
espiritualiza e ilumina!

Ser somente eu.
Beijar o mar
e afagar a cambraia a meus pés!

O mar é a minha verdade.
Eu sou verdade no mar!



Paulo Conde - Dez/2008

publicado por pauloconde às 00:45

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Sábado, 3 de Novembro de 2012

Esperança perdida

Já não posso ser contente
Trago a esperança perdida,
Ando perdido entre a gente
Não morro, nem tenho vida!
Camões
Chamaram-me um dia Mundo
P’ra que eu unisse em paz
Tanto fervoroso crente,
Resta o suspiro profundo
Do que outrora fui capaz
Já não posso ser contente!

Não me acolhe o coração
Nem sequer me afaga a esp’rança
Da gente que dou guarida,
Sou Mundo na solidão
Neste tempo sem bonança
Trago a esp’rança perdida!

Vou girando hora a hora
Neste turbilhão de vozes
Feitas dum amor ausente,
Eu sou Mundo, mas agora
Qu’ outras almas são ferozes
Ando perdido entre a gente!

E perdido, vou girando
Não tenho um rumo traçado,
Sou Mundo de fé perdida,
Dia a dia vou penando
Neste orbe, mutilado
Não morro, nem tenho vida!

Paulo Conde
publicado por pauloconde às 14:38

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Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012

A bruxa de Palhavã

 

Mostra ser muito bondosa
E age com grande afã,
É uma espécie de raposa
A bruxa de Palhavã!

De comidas e bebidas
Faz a sua profissão,
E à noite, às escondidas
Vai rezar à maldição!

E põe tudo em sobressalto
Com magias de satã,
Vive ali no Porto Alto
Dorme aLI NA Palhavã!

Fez magia por paixão
Desdenhou, quis roubar,
Por tão louca ambição
Ao desprezo foi parar!

Não me quebram por enguiços
Nem visões do amanhã,
Mas não esqueço os feitiços
Da bruxa de Palhavã!

 

 

Paulo Conde

IGA E SPA

 

------------------------------------------

 

'Há mulheres neste mundo
Que não merecem de um homem,
Nem o desprezo profundo
Quanto mais o pão que comem' - Carlos Conde

publicado por pauloconde às 03:36

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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

O casino da Mariquinhas

O CASINO DA MARIQUINHAS

publicado por pauloconde às 00:40

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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

O portão do fado ou O portão do Adicense

 
 
Na rua de São Pedro mora o fado
Por trás do zinco dum portão velhinho,
E á noite Alfama entoa o seu recado
Nas pedras já poidas do caminho!
 
Lá dentro, cantam fado mais castiço
Trovadores duma casta mais bairrista,
Por isso e apenas só por isso
O fado ali é muito mais fadista!
 
Ao fundo, há um balcão improvisado
Que aguça o paladar de quem petisca,
Não há ninguém que antes de ouvir fado
Se negue a provar uma patanisca!
 
No bairro onde o fado é viva chama
Não passa por lá ninguém que não pense,
Depois de visitar a velha Alfama
Entrar pelo portão do Adicense!
 
 
 
Letra: Paulo Conde
Interprete: Daniel Gouveia
Música: Fado Alberto
IGAC e SPA
publicado por pauloconde às 21:01

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Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

O povo tem esperança e fé

 

Quero ter a liberdade
De viver em segurança,
Não se vence a tempestade
Com miragens de bonança!

Se falar é um bem comum
Que não pode ser calado,
O respeito é também um
Bem a não ser ignorado!

Não bastou canções, milicias
Nem cravos nas multidões,
Foi-se o bastão dos polícias
Veio a luva dos ladrões!

Tenho esperança e até fé,
Que o povo conheça um dia,
Mesmo a sério como é
Viver em democracia!

 

 

Autor: Paulo Conde

 

IGAC e SPA

publicado por pauloconde às 00:27

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Sábado, 24 de Março de 2012

Tributo a Carlos Ramos


Quase sempre o fado evoca
Aquilo que mais gostamos,
E é tão bom entrar na Toca
Só p'ra ouvir o Carlos Ramos!

A sua voz é expressão
Que enternece a todos nós,
Dá-nos voz ao coração
Pôe-nos coração na voz!

Carlos Ramos é na verdade
Riso, lágrimas, encanto,
É escutar uma saudade
Que por fim nos toca tanto!

Autor: Paulo Conde

IGAC E SPA

publicado por pauloconde às 12:41

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Domingo, 18 de Março de 2012

Quero tudo o que é teu


P'ra voltar a ser feliz
Traz de volta o teu sorriso,
Também quero o teu olhar
Para que os possa juntar
E formar um paraiso!

Traz também a tua pele
O teu calor, o teu desejo,
E p´ra não elouquecer
Não te esqueças de trazer
A doçura do teu beijo!

As caricias mais ousadas
Podes trazê-las, meu bem,
Não quero que falte nada
Nem sequer a porta fechada
P'ra não entrar mais ninguém!

Paulo Conde

IGAC E SPA

 


publicado por pauloconde às 00:27

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Terça-feira, 13 de Março de 2012

Na vida é tudo aparente

 

Na vida é tudo aparente

Na morte tudo acabou,

Quem morre nem sequer sente

As saudades que deixou.

 

Carlos Conde

 


 

Vivemos com a vaidade

De pensar que somos gente,

Nada somos de verdade

Na vida é tudo aparente!

 

Outra vida é promessa

Em que o além nos deixou,

Na vida tudo começa

Na morte tudo acabou!

 

A saudade que nos fica

De quem vai à nossa frente,

É algo que mortifica,

Quem morre nem sequer sente!

 

Se tudo tem que findar

Numa vida que acabou,

Quem morre deve levar

As saudades que deixou!


 

Paulo Conde

 

IGAC E SPA

 

 

publicado por pauloconde às 22:36

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Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Fado Goya

 

O fado não quer vedetas
Nem asnos empoleirados,
Nas criações mais dilectas
De fadistas consagrados!

O fado não quer saber
De aprumadas aldrabices,
Nem tão pouco conviver
Com um rol de vigarices!

Marceneiro é muito mais
Que versículos e menores,
Mas não tolera, jamais
Que lhe troquem os autores!

Um dia a história do fado
Vai repor e com justiça,
O Goya que foi roubado
Por gentalha metediça!

Paulo Conde

IGAC E SPA

 

 

 

»Polémica no Fado
Prémio Goya 2008 atribuido a Carlos do Carmo foi uma farsa. A autoria da música é de Alfredo Duarte Marceneiro. Siga a polémica neste link: http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/fado+vers%C3%ADculo+-+a+pol%C3%A9mica+continua

 

 

publicado por pauloconde às 00:12

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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

O cais da solidão


 
Andei à tua procura
Junto ao cais da solidão,
E apenas vi amargura
Nas vagas da ilusão!
 
E o meu coração triste
É toda a minha vontade,
Da paixão que ainda existe
Na tormenta da saudade!
 
Quando uma crista se agita
Nas águas em torvelinho,
Todo o meu pranto te grita
Desesperando carinho!
 
Sempre que o mar se revolta
Revolta-se o meu tormento,
E o teu amor que não volta
Açoita o meu sofrimento!
 
Todas as noites te espero
Junto ao cais da solidão,
E as ondas p’ra desespero
Batem nas fragas em vão!
 
 
 
 
Letra de Paulo Conde
Música de Raul Ferrão ( Fado Carriche )
Registado na Sociedade Portuguesa de Autores
publicado por pauloconde às 21:23

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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Um homem que não conheço

 

 

Nasci à margem da vida
Nas veredas do pecado
Onde o tempo é mais cinzento,
Sou filho de mãe perdida
Num destino mal fadado
Cresci ao sabor do vento!
 
Aprendi com a tempestade
Tive a noite como escola
Vivi sem eira nem beira,
Nunca vi a mocidade
Vendi-me de esmola em esmola
Em farrapos de algibeira!
 
Por caminhos, desvairado
Sem alma, sem coração
Comunguei com a tristeza,
Nunca amei nem fui amado
E encontrei na solidão
A minha maior riqueza!
 
Foi o tempo quem trilhou
O destino do meu berço
Por um caminho sem fé,
É por isso que hoje sou
Um homem que não conheço
Nunca vi, nem sei quem é!
 
 
Autor: Paulo Conde
IGAC E SPA
publicado por pauloconde às 14:37

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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Loucura

É loucura querer-te bem

Sou irmão da desventura

Tinha razão, minha mãe,

É loucura adorar-te

Estar sedento de ternura

Sem mesmo poder beijar-te!

 

Chorai, chorai,

Guitarras da minha terra

Que o vosso pranto encerra

As mágoas do passado

E se é loucura

Amar-te desta maneira

Quer eu queira, quer não queira

Não posso amar-te calado!

 

Hei-de ser a sombra tua

Hei-de subir e descer

Os degraus da tua rua,

Minha querida, serei louco

A vida deu-me tão pouco

Mas eu dou-te toda a vida!

 

Artur Ribeiro

publicado por pauloconde às 00:44

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Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Lisboa, sei quem és!

 
 
Batem os sinos na Sé
E o povo cabe na fé
Dentro do teu coração,
Tu palpitas, como dantes
De chinelas saltitantes
À procura dum pregão!
 
Lisboa, minha cidade
Foi de ti, toda a saudade
Que levou um marinheiro,
Só por eu te ouvir cantar
Uma quadra popular
Ao teu Santo Padroeiro!
 
És varina, és Lisboa
Na canção que o povo entoa
Mais alegre, mais bairrista,
És um quadro de ternura
Onde o Tejo te emoldura
Para ver se te conquista!
 
Conheço-te, sei quem és,
És a musa das marés
Onde sempre me perdi,
É tão forte a devoção
Que eu não sei porque razão
Sinto saudades de ti!
 
 
Letra de Paulo Conde
publicado por pauloconde às 21:55

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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Alfama fadista

Eu entrei em Alfama, para ouvir
Ali num esconso beco empedrado
O carpir duma guitarra a trinar,
Um convite, uma porta a entreabrir
Lá dentro a tradição do Embuçado
Na taverna dum bairro á beira-mar!
 
Arqueadas, três vigas de Madeira,
Um leque de velas num castiçal
E o Santo Padroeiro de Lisboa,
Aguarela de fado, altaneira
No esboço que matiza sem igual
A história da canção que o povo entoa!
 
Vozes amigas e rostos fagueiros
Vão crepitando saudades, na chama
Que a memória reluz no Embuçado,
E à mercê de traços sobranceiros
Sinto-me preso nesta velha Alfama
E perdido na fama do seu fado!
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 00:31

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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Daniel Correia - Militante da poesia (1931 - 2003)

Daniel Correia, nasceu em Brinches – Serpa, a 31.12.1931. Deixou cedo os longos espaços do Alentejo, terra da desolação, no dizer de Urbano Tavares Rodrigues, terra cercada de fomes e latifúndios, de povos vigiados e partiu a caminho de uma mirífica Lisboa onde era possível o sonho e a fortuna.

Tinha 11 anos quando aportou à capital do império. Mas Lisboa era, em 1942, uma cidade triste, cinzenta, estática, muito diferente da cidade sonhada. Urbe de pequenos comerciantes, de serventuários do regime, de acabrunhados mangas-de-alpaca, de medos dependurados das esquinas.

A guerra na Europa (e a Europa era, nessa altura, um espaço de abstracções, coisa difusa que ficava longe, para lá dos Pirinéus) obrigava a restrições, a racionamentos. O menino que trazia notícias da fome da terra alentejana, viu-se de repente numa cidade pequeno-burguesa amedrontada, agradecendo, espojada, à Virgem as côdeas diárias da escassa ração, e a Pátria salva, por Salazar, dos horrores da guerra.

Uma cidade assim cercada deixa pouco espaço para o sonho, mesmo para os comedidos sonhos de menino. A fortuna, que a havia galopante, estava circunscrita aos círculos do poder, aos colaboracionistas, aos patos bravos que construíam as novas avenidas do regime e aos videirinhos que encontraram na exploração do volfrâmio motivos bastantes para aplaudirem, sem crises de consciência, os crimes do nazismo e a visão patriótica de Salazar.

É esta cidade que o menino de Brinches encontra, junto com as primeiras botas que o tio, sapateiro, lhe oferece mal chega ao cais do Terreiro do Paço, vindo no barco do Barreiro.

Da oficina de sapateiro do tio, em pleno Bairro Alto, Daniel Correia vê, passar-lhe à porta, os mais populares actores e cantores da época. Então, o Bairro Alto, mantinha nas suas estreitas ruas, as redacções dos principais jornais, o Conservatório Nacional, as casas de fado e na sua periferia os teatros S. Luiz e Trindade, o cinema Chiado Terrasse. O próprio tio chegou a fazer sapatos para as revistas do Parque Mayer.

Deslumbrado, o pequeno Daniel descobre uma noite, na telefonia, a voz de João Villaret dizendo o cântico negro de José Régio. Fica, desde aí, preso aos sortilégios da palavra e da forma como a voz do actor lhes dava vida e expressão. A atracção é tanta, o fascínio pelas palavras tão intenso, que começa a coleccionar os poemas vindos a público nos suplementos literários dos jornais, ou aprendendo-os de ouvir na caixa mágica que a telefonia era, ditos por grandes vozes: Carmen Dolores, Maria Dulce, Manuel Lenero, Villaret, o grande Villaret.

Assiste, ao vivo, a espectáculos da rádio, famosos ao tempo: Comboio das 6 1/5, Passatempo APPA, Companheiros da Alegria, Serões para Trabalhadores, Recolhe, nestes espectáculos, elementos que o levam a pensar a rádio como espectáculo, como vida, embora efémera, como comunhão directa com o público.

Aos dezoito anos casa e muda-se para Almada. Começa a dizer poesia em sessões da Incrível Almadense e na Academia. Torna-se, aos poucos, como ele gosta de afirmar, militante da poesia. Frequenta bibliotecas públicas, recolhe poemas, começa a guardar, no recanto dos afectos, os poetas que sempre o acompanharão: Carlos Conde, Sebastião da Gama, Régio, Manuel Alegre, Ary dos Santos, Aleixo. Quando, no inicio dos anos oitenta se muda para Samora Correia, junta a estes os poetas locais que então conhece – e não só conhece, começa a divulgar: Isabel Alemão, Albertina Pato, Piedade Salvador. Começa, então, um tempo de rádio, das rádios livres ou piratas como então eram conhecidas.

Daniel Correia começa, com uma equipa de entusiastas, a divulgar a poesia em programas como Despertar à Portuguesa, Romaria, Poesia na Noite, Fado e Palavras Ditas, Hino à Poesia. Revelam-se, através destes programas, alguns dos poetas populares mais importantes do concelho de Benavente.

Hoje, as rádios tornaram-se instrumentos anódinos, espaços que é preciso ocupar com programas que preencham a azáfama dos dias, sem alma, sem rosto. Comercializaram-se até à promiscuidade, politizaram-se até à mais aberrante tacanhez. Não há lugar para a poesia, para os escritores, para a palavra sensitiva, para a pausa que remete para os sentidos, para o humano que em nós habita – as rádios são desertos inócuos, povoados de acéfalos animadores de bruma, passadores acríticos de música abjecta. Já lá não cabe o sonho e as palavras que transformam e comandam a vida. Daniel Correia sabe-o, e porque o sabe, vai dizendo os seus poetas de sempre nos espaços ainda possíveis. Sempre, enquanto a memória perdurar.

 

Domingos Lobo – Escritor, romancista e poeta 

publicado por pauloconde às 00:30

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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

É Natal

 

 
É Natal! Eternidade!
Tanta criança esquecida,
Por haver tanta maldade
No calendário da vida!
 
 
Não há golpe mais profundo
Que a fé triste, dolorida,
De ver por aí no mundo
Tanta criança esquecida!
 
Mas o homem nada sente,
Despreza a eternidade,
E tudo isto, somente
Por haver tanta maldade!
 
Neste orbe só resiste
Quem á torpe dá guarida,
E não há nada mais triste
No calendário da vida!
 
Mas venha de lá a esp’rança
Qu’inda pode haver verdade,
Já nasceu outra criança
É Natal! Eternidade!
 
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 00:42

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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Canibais do Tempo

 
Viver aqui
é angustioso, dilacerante
vegetativo e penoso
 
Andamos por aqui
a devorar tempo e a mastigar plástico
em rituais mórbidos
de bebedeiras heroinamente temperadas
 
Almas dilaceradas e inócuas
perversamente encaixadas
nos podres corpos
injectados de febres frias de amor
 
Fecundamos máquinas de sexo virtual
com um prazer sórdido
de êxtase mal segregado
abortamos solidão
educamos o ódio na escola do vicio
 
Decapitamo-nos
com navalhas frias de tédio
sangramos raivas e medos
recalcados e amordaçados
que não dizemos
que não falamos
 
Somos um povo
silenciosamente revoltado!
 
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 22:48

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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Ode à solidão

É solidão o que faço
Perdido em cada passo,
Passo entre a multidão,
Não é medo, é cansaço
De sentir que quanto faço
Se esconde na solidão!
 
Solitário! Caminhando…
Nuas almas vou cruzando
Olhos frios, gente crua,
Fico. Não vou mais além
Já não conheço ninguém
Com quem me cruzo na rua!
 
Estende mãe, o teu braço
Nesse teu peito me enlaço,
É teu, o meu coração,
Quero de volta o ventre baço
E no gume dum estilhaço
Mãe! Mata-me a solidão!
 
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 23:43

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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010

O Casino da Mariquinhas

Resta apenas a lembrança
Das vistosas tabuinhas,
Hoje acolhe a vizinhança
Num Casino, a Mariquinhas!
 
A Mariquinhas zangada
Com gente sem coração
Tem agora a pretensão
De provar que é muito honrada,
Já não resta quase nada
Da sua pesada herança,
Foi assim, cheia de esperança
Que rasgou as bambinelas,
E das tábuas das janelas
Resta apenas a lembrança!
 
Até o Chico, apostado
Em mudar de profissão
Anda a montar um salão
P’ra lá se cantar o fado,
Já morreu todo o passado
Da formosa Mariquinhas,
No bairro não há vizinhas
Fugiram p’ra a Liberdade,
Já nem lá mora a saudade
Das vistosas tabuinhas!
 
P’ra limpar a sua história
Esta infinita mulher
Vai morar junto ao Vitória
Ali no Parque Mayer,
Mas agora o que ela quer
É que a malta da finança
Vá lá gastar a herança
No vicio do seu Salão,
As invejas já lá vão
Hoje acolhe a vizinhança!
 
É de um luxo que só vendo
Peças de ouro, sedas puras,
Até houve assinaturas
P’ra fazer um referendo,
Era apenas um diferendo
Politiquices mesquinhas,
É por isso que as vizinhas
A trazem de braço dado,
Pois pensa cantar o fado
Num Casino, a Mariquinhas!
 
 
 
 
 
Letra de Paulo Conde para quem quiser cantar!
publicado por pauloconde às 20:44

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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Livro de poesia


 

Disponível em: http://pauloconde.bubok.pt/

publicado por pauloconde às 12:00

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Domingo, 2 de Maio de 2010

Nota solta...

 

'Só sabemos quem nos ama

E quem nos quer sem favor,

Quando caímos na lama,

No sofrimento e na dor!'

 

Do autor

publicado por pauloconde às 20:42

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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

O cálice da vida

 

Talvez um dia se rasgue o céu,
E por entre o seu azul celeste,
Duas asas e um branco véu
Voando sobre este mundo agreste!
 
Que nesse dia, tão nobre voar
Faça sorrir cada criança,
Abra o mundo de par em par
E nos ilumine de paz e esperança!
 
Talvez então, o sonho que abraço
Seja o abraço fraterno da vida,
E que ampare então no seu regaço
Uma só alma de branco vestida!
 
Pólvora, lágrimas e fome
Somente por tresloucada ambição
Desta humanidade perdida,
 
Que um cálice do meu sonho tome
P’ra sentir bem dentro do coração
Toda a esperança e paz da vida!
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 20:49

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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

O segredo do teu olhar

 

Não me olhes em segredo

Que o segredo, tem um fim,

Não me olhes, tenho medo

Que me segredes assim!

 

Saio à porta bem cedinho

Só para te ver passar,

Passas tu devagarinho

P’ra me dares o teu olhar!

 

Bem sei que nada dizemos

Sei bem que nada falamos,

Tudo aquilo que nós queremos

Está no olhar que trocamos!

 

É segredo, mas eu estou

Convencido que é assim,

Teu olhar já me contou

Que só tens olhos p’ra mim!

 

 

Paulo Conde

publicado por pauloconde às 12:10

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

A minha lágrima


Quero a lágrima furtiva

Que me levou de vencida

Quando a saudade raiou,

Saudade que mantém viva

A lembrança duma vida

Que o destino apagou!

 

Sou feliz, já não pertenço

Às agruras, ao tormento

Duma lágrima singela,

Esqueci-me que nela penso

E foi puro esquecimento

Quando hoje me lembrei dela!

 

E lembrei-me que a saudade

É de todos nós diferente

Não ri, não fala, não chora,

Três sentidos de ansiedade

Que o passado tem presente

Dia a dia, hora a hora!

 

Essa lágrima furtiva

Não se prendeu à saudade

Quando dela me lembrei,

A saudade é mais esquiva

E traiu a mocidade

Qu’inda ontem recordei!

 

 

Paulo Conde

publicado por pauloconde às 17:48

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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

A saudade e o desgosto

 

 
 
A saudade e o desgosto
Foram criando raízes
Tão fundas, que as cicatrizes
São as rugas do meu rosto!
 
Carlos Conde
 
 
Quando após o sofrimento
Sem um ai, nem um lamento
Vão ruindo este meu rosto,
Sem que a vida me lamente
Só moram no meu presente
A saudade e o desgosto!
 
Ávidas ao meu destino
São lei no altar divino
Como sagradas matrizes,
Sem que o tempo as enganasse
No rubor da minha face
Foram criando raízes!
 
O desgosto vai distante
E a saudade triunfante
Hora a hora sobe um posto,
Subindo crava raízes
Tão fundas, que as cicatrizes
São as rugas do meu rosto!
 
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 21:08

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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Prisioneiro

 

Se algum dia amar a vida
Como a vida me odiou,
É porque sarei a ferida
Que o tempo nunca sarou!
 
A sorte não me prendeu
E andei por aí sem Norte,
Preso ao jugo dum plebeu
No azar e na má sorte!
 
Presos levo ao meu destino
Desta alma que resiste,
Os meus sonhos de menino
E a alegria de ser triste!
 
P’ra fugir em pensamento
Às grades da fantasia,
Quero rir em sofrimento
E padecer de alegria!
 
Paulo Conde
 
 
publicado por pauloconde às 19:05

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Domingo, 11 de Maio de 2008

Á luz da vela

 
Na penumbra matizada
Por laivos de incandescência
Que morrem no castiçal,
O tanger duma balada
Vai marcando a cadência
Da cantiga nacional!
 
Cacho d’ouro é cave antiga
Muito embora no trajar
Não deixe de ser moderna,
Mas há sempre uma cantiga
Que teima em fazer lembrar
Os despiques na taberna!
 
Sob as ordens dum timão
Canteiros e lamparinas
Partilham do mesmo fado,
Essa dolente canção
Que deu brado nas esquinas
E vielas do passado!
 
Alta noite, madrugada,
As almas em conivência
De comunhão ancestral,
Na penumbra matizada
Por laivos de incandescência
Que morrem no castiçal!
 
Paulo Conde
publicado por pauloconde às 22:43

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Os "arranjadores" de Fado

Há cerca de meio século o poeta Carlos Conde dizia:

"...O fado é altar de fadistas, não pode ser refúgio de vadios! Há quem ande no fado a enganar os incautos, como quem anda nas cavernas a enganar a policia..."
E quando lhe perguntaram qual seria o remédio a aplicar, ele respondeu:
- Remédio? Isso era facílimo se algumas entidades superiores quisessem. Há fadistas que se encontram deslocados e teriam certas possibilidades de acertar noutro meio diferente, com vantagem para eles e para nós..."

E nesta altura ainda não existiam os "arranjadores" de fado. Aqueles que pegam nas músicas que estão avariadas e as arranjam, ou seja, os pseudo-criadores, aqueles que parece que criam, recebem os direitos de autor por aquilo que não criaram e ainda se alvitram de compositores.
Sinceramente, talvez por ignorância, desconhecia que as músicas do Marceneiro, Joaquim Campos, Casimiro Ramos, Julio Proença, Frederico de Brito. etc, etc, etc.......estavam avariadas, mas enfim... Atrevo-me a sugerir, se as músicas que existem estão assim tão avariadas, talvez o melhor seja fazerem umas novas, que tal?

Com tudo isto, estou a pensar seriamente em "arranjar" a letra: "A casa da Mariquinhas", sempre achei que deveria ser "O lar da Mariquinhas", mudo-lhe uma virgulas, tiro o Chico ponho o Zé e depois é só transcrever o resto, registo na SPA e não só recebo direitos como ainda sou reconhecido por ter "arranjado uma letra". - Fantástico - neste país vale a pena enganar os incautos!

Ao vosso dispor,
(Paulo Conde)

publicado por pauloconde às 23:58

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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Casa da Azenha

 
                                            
 
Mais uma noite de farra
De fadistagem tamanha,
Viola, tinto, guitarra
Ali na Casa da Azenha!
 
Nesta Quinta aluxoada
Cuja nobreza não esconde,
Começa a grande noitada
Pela voz do Vítor Conde!
 
Acompanhada à guitarra
Cumpre bem o seu papel,
A Herminia bem bizarra
Na tenra voz da Raquel!
 
Já a noite se estendia
Quando em coro se cantou,
O adeus à Mouraria
Do castiço António Grou!
 
Caracol e Canita
Cada um para seu lado,
Numa letra erudita
De fado bem requintado!
 
Era já noite bem alta
E quando a farra acabou,
Puseram na rua a malta
Nem o fado lá ficou!
 
 
Paulo Conde
 
 
publicado por pauloconde às 22:03

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Terça-feira, 17 de Julho de 2007

Eduardo Ramos de Morais

Eduardo Ramos de Morais
 
Nasci a ouvir o fado, o meu avô Carlos Ramos muitas vezes o cantou e tocou junto ao meu berço. Entrei pela primeira vez numa casa de fados (Adega da Lucília) com três meses de idade. Em Novembro de 1969, Carlos Ramos deixou de estar entre nós e eu até há muito pouco tempo, não mais iria aos fados. De 1992 a 1995 realizei os programas "Retiro Fadista" e "Noite de Fado" na Rádio Antena Livre de Abrantes, chegaram a ter quatro horas semanais com centenas de cartas e telefonemas de apoio. Como não sei cantar, nem tocar, vou escrevendo alguns poemas para fado, alguns já cantados por alguns amadores de qualidade como por exemplo: João Guiomar, Ana Marina, Rita Inácio e Joana Costa. Estes são alguns dos meus singelos versos e uma forma de ser um dos tais "fadistas que não cantam".

 

Obrigado Eduardo, por continuar a eternizar o "enorme" Carlos Ramos! - Paulo Conde

 

publicado por pauloconde às 18:29

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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Á esquina do Corpo Santo

À esquina do Corpo Santo
 
 
Dei comigo a vaguear
Ali para o Cais do Sodré,
Como barco a naufragar
Pelas crinas da maré!
 
Ancorei junto à estação
Sem ter rota nem destino,
Numa esquina a perdição
Duma vida em desatino!
 
Passei perto, segredou
Quedei-me diante dela,
E de mim nada ganhou
Nem eu me perdi por ela!
 
Sei que anda a vida triste
Não tem brilho nem encanto,
No pecado que ainda existe
À esquina do Corpo Santo!
Letra de Paulo Conde
publicado por pauloconde às 17:38

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Apontamentos de fado

Lançamento da Biografia do poeta Carlos Conde - Palácio do Infantado - Samora Correia

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publicado por pauloconde às 17:54

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Domingo, 27 de Maio de 2007

O "Numero Um"

O neto do Marceneiro
Armou um certo zum-zum,
                                                Porque o fado está primeiro
Nas noites do “numero um”!
 
 
Já que o fado é meu prazer
Numa crença de paixão
À qual me dou por inteiro,
Saí ontem só p’ra ver
Da lendária geração
O neto do Marceneiro!
 
Decerto não degenera
No seu porte bem castiço
Não imita mais nenhum,
Abancou e esteve à espera
Não cantou, e só por isso
Armou um certo zum-zum!
 
Afinal o fado é fado
E à que guardar respeito
Ao nome do Marceneiro,
Deixar o neto calado
Mais que ciúme é despeito
Porque o fado está primeiro!
 
O Marceneiro, com garra
Veio-se embora, não cantou
E do fado fez jejum,
Foi a cena mais bizarra
Que certa vez se passou
Nas noites do número um!
 
 Paulo Conde
(Dedicado ao fadista e amigo Vitor Duarte (Marceneiro)
publicado por pauloconde às 22:17

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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Morte é lei

 
Morte é lei, não é desgraça
Para gente pobre ou rica,
A vida é sonho que passa
O mundo ilusão que fica!
                                               Carlos Conde 
 
Faltou ler um mandamento
À luz da divina graça,
No altar do firmamento
Morte é lei, não é desgraça!
 
E p’ra que ninguém se afoite
Serve de exemplo a quem fica,
A morte é eterna noite
Para gente pobre ou rica!
 
Viver é bem que conforta
Morrer, eterna ameaça,
A morte espreita p’la porta
A vida é sonho que passa!
 
P’ra final, só me ocorre
O que esta lei justifica,
O Homem, sonho que morre
O Mundo, ilusão que fica!
Letra de Paulo Conde
publicado por pauloconde às 21:35

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Domingo, 23 de Abril de 2006

Biografia

PAULO CONDE

Paulo Conde, natural de Lisboa, inicia colaboração escrita, através de artigos de opinião, com prestigiados órgãos de comunicação social.
Em 1997 é fundador e redactor da publicação periódica regional "A Voz do Guia".
Em 1998 integra a colectânea de poesia popular do concelho de Benavente "Poetas nossos", com alguns poemas da sua já vasta obra.
Em 1999 inicia trabalho de investigação ao espólio do poeta Carlos Conde e a toda a componente do fado (investigação que mantém actualmente) e colabora na elaboração do livro "Memórias de um tempo de rádio", a publicar brevemente.
Em 2000 recebe menção honrosa da Câmara Municipal de Alenquer, por ocasião dos I Jogos Florais deste município.
Em 2001 edita a obra biográfica "Fado, vida e obra do poeta Carlos Conde", coordenando toda a sua divulgação, realizando diversas iniciativas no âmbito do primeiro centenário do nascimento do poeta.

A descoberta da grande qualidade da poesia de Carlos Conde levou um bisneto a fazer uma viagem no tempo e a procurar estabelecer o seu percurso fadista em livro.
Paulo Conde, bisneto do poeta, apercebeu-se que aquele espólio poético não devia ficar apenas na esfera familiar e lançou-se numa investigação sobre uma das figuras tutelares do meio fadista de 1920 a 1970, com vista à concretização de um livro que traçasse o perfil do autor de inúmeros êxitos, como "Não passes com ela à minha rua".

A poesia de Carlos Conde continua a ser cantada mas nem sempre identificada e essa foi outra das preocupações do autor do livro.
"Passei hoje em Alcobaça", "Drama de uma velhinha", "Saudades da nossa casa", "A mulher que já foi tua", "Feira da ladra", "Zé Canas" ou "Recordar é viver" são alguns dos populares êxitos do poeta.

A investigação realizada por Paulo Conde permitiu-lhe, por outro lado, verificar que a despeito do fado ser a canção nacional há uma grande lacuna bibliográfica.
A biografia que escrevi preenche um pequeno ponto, mas permitirá talvez incentivar a realização de outros trabalhos, diz. Paulo Conde, natural de Lisboa, inicia colaboração escrita, através de artigos de opinião, com prestigiados órgãos de comunicação social. Em 1997 é fundador e redactor da publicação periódica regional "A Voz do Guia". Em 1998 integra a colectânea de poesia popular do concelho de Benavente "Poetas nossos", com alguns poemas da sua já vasta obra. Em 1999 inicia trabalho de investigação ao espólio do poeta Carlos Conde e a toda a componente do fado (investigação que mantém actualmente) e colabora na elaboração do livro "Memórias de um tempo de rádio", a publicar brevemente.

 

publicado por pauloconde às 21:57

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